ANEMIA FALCIFORME

Existe uma grave forma de anemia que afeta a espécie humana e que é provocada por um gene que condiciona a produção de hemoglobina anormal. O indivíduo portador deste gene em heterozigose apresenta deformações de parte das hemácias, que assumem forma de foice, daí o nome da doença: anemia falciforme (ou siclemia).

Os homozigotos (portadores do gene para siclemia em dose dupla) apresentam todas as hemácias deformadas e sofrem anemia profunda, morrendo geralmente antes de atingir a puberdade. O gene para siclemia é, portanto, letal recessivo.

A freqüência do gene para anemia falciforme é extremamente baixa na maioria das populações humanas. Entretanto algumas populações restritas às regiões onde a malária é endêmica, apresentam este gene deletério em freqüências muito altas, devido ao fato de que os indivíduos com anemia falciforme serem mais resistentes à malária do que os indivíduos normais, pois os hetorozigotos para o gene da siclemia têm vantagem adaptativa em relação aos dois tipos homozigotos, pois os homozigotos para siclemia morrem antes de se reproduzir e os homozigotos normais são menos resistentes à malária. O Plasmodium, parasita causador da malária é o agente seletivo, pois não sobrevive no interior das hemácias deformadas, favorecendo a sobrevivência dos heterozigotos. Portanto, a freqüência do gene para siclemia mantém-se alta nestas populações graças à maior viabilidade do heterozigoto.